Ela era dona de uma fiação, que criava tecidos lindos, dignos de reis e príncipes e abastecia regularmente o palácio real. Por isso era chamada a tecedeira real.
Mas, não era ela quem fiava. Para isso ela tinha umas meninas muito pequeninas e que estremeciam ao som da sua voz. Quando ela se cansava destas meninas, mandava-as para fora do seu reino e apanhava outras para colocar no lugar delas.
Um dia, Gorgólia foi fazer negócios com um conde que vivia perto da senhora dos bolos. E o cheirinho era tão bom que Gorgólia, não resistindo à gulodice, foi ter com a senhora dos bolos para comprar um para si mesma. Ela era muito gulosa, por isso era tão gorda, tão gorda, que quase não se conseguia mexer.
Mas, quem estava lá a vender os bolos era a filha daquela senhora. Chamava-se Rita e fazia, juntamente com a mãe, todos aqueles bolos deliciosos. Gorgólia olhou para a menina que era muito envergonhada e muito inocente e com a sua vozinha doce, iludiu-a com promessas de lindos vestidos, no seu lindo castelo, rodeada das mais belas iguarias.
Falou-lhe em vestidos do mais puro algodão, fiados com fios das mais lindas cores vindos de países longínquos. Rita sentia-se inebriada com aquilo tudo que ouvia e desejou ser ela a estar envolvida naqueles tecidos todos. Imaginava-os lindíssimos e de côres fantásticas.
Assim, pediu à mãe que a deixasse partir, para ser uma das tecedeiras reais. A mãe pensou bem e deciciu deixá-la ir. Não sem antes ter feito o melhor dos negócios com Gorgólia, que sorria esfregando as mãos com longas unhas pintadas, transpirando satisfação.
«Mais uma para o rol» pensava ela enquanto ía indicando o caminho à menina inglesa que tinha conseguido arrancar de junto da mãe.

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